(Wolf’s Reprisal – Jocarra)

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BICHO-DO-MATO
(André L. Soares)
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Desde cedo deixei
o medo de lado
e me lancei no encalço
dessa lida traiçoeira;
arrebentando elos, cordas,
cabeças, cabaços,
portas, taramelas, cancelas,
porteiras.
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Só desejo o espaço livre
no vasto da estrada,
com a liberdade própria
dos bichos-do-mato;
dispensando tudo
que me seja um fardo,
salto de peito aberto
pelas cachoeiras.
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Não divido meus caminhos
entre o bem e o mal;
tampouco temo a hora
da flecha certeira.
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Sou avesso a qualquer coisa
que imponha limites;
desconheço as leis,
os reis, as fronteiras;
vim ao mundo pelo belo
que a vida oferta:
– o mar, o pôr-do-sol, a areia,
os rabos-de-saia,…
a loucura sensual
do amor à lua-cheia!
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Não divido meus caminhos
entre o bem e o mal;
tampouco temo a hora
da bala certeira.
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Leia também:
Gritos Verticais /O Poema de Cada Dia /Poética Herética /Raiz de Cem /Sons de Sonetos

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