(Foto: André L. Soares)

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ENGANO
(Patrícia Neme)
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Eu te percebo em vôo errante e vago,
cortejas flores, rondas os canteiros.
Perdido em cores, bebes, trago a trago,
orvalho e néctar, vãos e derradeiros.
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Beijas a rosa, no cravo um afago…
Mas teus carinhos não são verdadeiros.
Teu rastro fala de dor e de estrago,
dos sonhos mortos… Todos passageiros!
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Teus passos são volúveis, causam dano,
motivam pranto, angústia, desengano,
desfolhas vidas, sem pena, sem dó.
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Tanta aridez… O que é do meu jardim?
Eu me pergunto, o que será de mim…
Assim tão triste, machucada e só!
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Para ler mais poemas dessa artista, visite:
Patrícia Neme
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