(Foto: André L. Soares)

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SOB A LUZ DO PESCADOR
– para o meu amigo André L. Soares –
(Ju Rigoni)
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Sentado à areia possível,
a que sobra das profundezas,
o pescador prepara a rede…
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Abre-se. Revela-se.
Diz tudo que é preciso
mas que ninguém ousa;
e quando a coragem bate à porta…
(que ninguém nos ouça!)
como dizer?…
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Que sorte!
O pescador é também poeta
e tange o divino
porque não esconde o menino
e o lobo que moram nele.
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O fel das suas tardes
paira entre a manhã e a noite…
mas sua alma de pássaro
sempre migra para a esperança.
Ele sabe:
dias há em que, juntos,
sol e lua dividem o mesmo céu…
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Metáforas singram substantivos,
sangram ou cicatrizam feridas da alma…
Orações subordinam-se à emoção
no mais turbulento dos silêncios…
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Força! Eia!
O pescador empurra o barco para o mar,
e navega, navega, navega…
até vislumbrar o horizonte
que, ainda ontem, julgava perdido…
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Puxa a rede
e, sem se dar conta da sua própria luz,
olha, admirado,
a prata que no barco pulula…
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Quem consegue olhar para o sol
assim, tão de perto,
e não experimentar seu calor –
ou brilhar sob o ouro da sua luz?…
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Leia mais poemas de Ju Rigoni em: Fundo de Mim.
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