(Foto: André L. Soares)

.
.
.
À GAIA
(André L. Soares)
.
Chão! Faça alguma coisa
em prol desses teus filhos:
traga uma dose de dor e de martírio
a quem quer que explore
essa pobre gente;
e aos que te semeiam as sementes,
veja se lhes reserva dias melhores.
.
Chão! Apesar dos frutos e das flores,
eu custo a acreditar
que aqui ficaste inerte,…
ouvindo calado, tanta lamúria.
Por que não te convertes
no lobo dos injustos…
…sugando, aos milhares,
os faustos malfeitores?
.
Chão! Talvez não seja tarde;…
mas de que vale tua piedade
se dada a quem não merece?
Acorda e ouve atento,
todas as tantas preces
das nações carpideiras,
que não suportam mais exploração.
.
Então, abre veio em ti,… Chão…
cospe de teus vulcões, agora…
tua raiva em lava, lança fora
e em catarse, erga essa bandeira
em prol dos infelizes.
Rasga tua carne em sismos,
inunda os latifúndios,
engole os edifícios,
devora os palácios,
inova esses espaços,
redesenhando o caos!…
Lança o planeta inteiro no escuro,
contanto que desapareçam os maus,
mesmo que sobrem apenas
cinco ou dez… pessoas puras,
terá valido cada rachadura e ruga
de tua pele… Chão.
.
Depois, volta a dormir,
por incontáveis eras;…
assenta o pó e a poeira,…
…e por que não?
Os poucos que ficarem,
por certo, saberão
fazer um mundo novo e melhor,
após tua justiça
feita de cataclismos,…
Chão!
.
.
.

.
Leia também:
Gritos Verticais /O Poema de Cada Dia /Poética Herética /Raiz de Cem /Sons de Sonetos

Anúncios