(Foto: André L. Soares.)

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GRITO VERTICAL

(André L. Soares)

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Têm momentos em que a Geometria é louca

Tudo fazendo parecer fora de esquadro

Triângulo-retângulo – desenhado no dia-a-dia

Travestido de círculo-vicioso

Embutido – silencioso – nas linhas do hexágono

Expondo duas vidas – paralelas – que se buscam

E que – não adjacentes – cruzar-se-ão no nunca

Esperando – talvez – um milagre assimétrico.

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Apostando – quem sabe – no absurdo geográfico

Ambas ofertando o tempo à pira do sacrifício

Alheias à dor, à saudade e ao ridículo

Andam livres – a sorrir – à beira do precipício

Marcando e adiando – comumente – seus encontros

Matando – na distância – o seu melhor

Movendo-se – sem perpendiculares – por vias diferentes.

Mormente – a essas retas – o beijo é algo impossível

Olham-se – sempre separadas – sustentadas no desejo

Obstruídas – que estão – pela linearidade lógica e precisa.

Obtusa paixão – inviabilizada pela Física:

Obviamente – esse amor – tende ao infinito intangível.

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