(Foto: André L. Soares)

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O BEIJO
(Clarrissa Yemisi)
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Tu foste todo sombra noite a dentro
pairavas e tragavas e tossias
por entre mãos de fumo tão vazias
é em ti, somente em ti, que me concentro.
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À grande custa, à força bruta, adentro
a tua fortaleza, carnes frias
e sinto exatamente o que sentias:
em tua alma o amor foge do centro.
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Como quem quer livrar-se de uma pena
e nesse vão delírio traiçoeiro
é a si – mas não somente – que condena.
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Depois tu vais embora sorrateiro
e a única ternura dessa cena
é o beijo no cigarro no cinzeiro.
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Leia mais Clarrissa Yemisi em: Miolos de Pote.

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Leia também:
Gritos Verticais /O Poema de Cada Dia /Poética Herética /Raiz de Cem /Sons de Sonetos

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