(War Child – Wor)

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O MENINO DE BEIRUTE

(André L. Soares)

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Embora tivesse escolhido a felicidade

a julgar pelos prédios em ruínas,

a felicidade não o escolheu.

Ainda assustado, guardou no bolso

– junto ao retrato dos pais –

três rubras gotas de ódio e saiu.

Queria sorrir para o mundo…

em resposta, as ruas sujas gargalhavam

um sarcasmo seco, de fuzil.

Em dia claro, choviam estilhaços.

Nos seus braços uma ferida sangrava

e ele em total torpor

(historicamente anestesiado,…

coração nasce blindado

onde não há amor?).

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Entre a poeira cinza dos escombros

a infância resiste e ele se ilude

num jogo de bolas de gude, distante dos bombardeios.

A paz agora é a moribunda sombra,

que se alimenta do prometido cessar-fogo

(rápido rasgo de esperança

que se curva às tradições e aos interesses;…

e haja paixão para manter viva essa loucura).

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De novo correndo entre os corpos,

sonha o dia em que possa descansar

sem temer – na esquina – um inimigo,

usar roupas limpas aos domingos,

falar de coisas lindas,… ver o luar.

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Ele não vai hoje à escola,…

(arremedo queimado de salas de aula)

porque seus professores

trocaram os livros pelas armas.

Hoje ele não vai à escola,…

mas traz marcadas em sua pele

todas as mais duras lições.

Ele hoje não vai à escola,…

dez anos nessa vida infeliz

e a promessa de vingança

como sagrada cicatriz.

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