(Bullet – Trozo)

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A FOME
(André L. Soares)
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A Fome é uma fera
que devora os sonhos,
ferindo o orgulho do homem.
Implacável, não espera
que se alcance eficácia
com medidas burocráticas.
A Fome se mostra
sorrateira e sinistra
na azia da dor gástrica.
Invisível, rói por dentro…
e se o estômago é um vão,
ela se faz solitária.
A Fome é um cão voraz,
devorando o país,…
corrompendo os cidadãos.
É uma praga que se alastra
pelos becos das favelas,
gerando ódio e inveja.
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A Fome é traiçoeira,
joga homens na cadeia;
a Fome é cafetina,
põe uma puta em cada esquina;
a Fome é assassina,
põe uma arma em cada (ir)mão.
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A Fome é essa inimiga
gerada dentro da barriga,
como um feto que odeia a mãe.
Irmã-gêmea da Morte,
aborta tudo que é sublime…
da Fome nasce o crime.
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