.
.
.
SONETO DAS RUAS – I
(André L. Soares)
.
Eu vendo doces, o dia todo, no sinal;
trabalho duro, defendendo o ganha-pão.
É o que me cabe, já que nem sou cidadão…
– Só busco um troco pra tentar não passar mal.
.
Têm uns esnobes,… muita grana e coisa-e-tal,
então me humilham, viram rosto, dizem: – Não!…
num gesto brusco, como quem afasta um cão,
porque sou pobre, já me vêem marginal.
.
Por isso, agora, vou assumir o que já sou:
um vagabundo, destemido, bicho solto…
que nunca corre nem dos ‘home’, nem da morte,
.
metendo o berro, faço as vezes do mais forte,
forçando a barra atrás do meu lugar ao sol,…
pra ver se fujo para sempre desse esgoto!
.
.
.

.

Leia também:
Alma de Poesia /Gritos Verticais /Natureza Poética /O Poema de Cada Dia /Poética Herética /Raiz de Cem /Sons de Sonetos

Anúncios