(The Flower Vendor – Diego Rivera)
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POESIA EM CARNE VIVA
(André L. Soares)
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A poesia é como um rio…
leito de verbos e vinhos,
onde uma alma se banha
na palavra que empenha,
soberana,… arte rainha,
devota paixão tamanha,
é a esperança que se cunha
capaz de mover montanhas.

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A poesia é largo esteio…
que mantém firmes os punhos
do homem simples que apanha,
sob o peso da desdenha,
e frente ao terror medonho
dos que estão quase sozinhos,
mas se unem, em rebanhos,
sem renderem-se às barganhas.

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A poesia é eterno cio…
em que se fecundam sonhos,
superando,… na artimanha
a maldade que avizinha
os corações feitos de estanho,
cruzando novos caminhos,
desvendando tantas senhas,
por seus férteis testemunhos.

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A poesia, então, é isso…
algum gesto de carinho
ofertado a um estranho,
– português, pária ou portenho –,
sem remorso e sem vergonha,
não tendo intenção de ganho,
mas de ser dócil resenha
dessa vida, tua e minha.

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(…)
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E sendo poesia… é infinda,
sendo bela, é ingênua,
sendo força, ela é bem-vinda,
e por ser amor,… há quem diga…
que a poesia é carne viva.
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