(Tropical Beach – Lin Seslar)
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COMO A ÁGUA
(André L. Soares)
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Quando eu, feito criança assustada,
escondo-me de você, de suas perguntas diretas
é somente para ver se preservo submersos
meus medos mais sombrios, minhas portas mais secretas.
Mas não adianta, pois pouco a pouco,
como a água,…
você me invade,… eu fechando, você a destrancar.
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E como sou covarde, recuo novamente.
Não a deixo perceber que é inútil meu machismo.
Senão saberá que, longe dos olhares: um homem também chora
e em minha fragilidade, até me encolho no sofá…
E também que, ansioso, tento adiantar a hora em que,
como a água,…
nossos rios possam finalmente se cruzar.
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Tenho receio;… ah, como eu tenho receio
de que exposto na rua,… nu, no meio ali parado,
possa eu demonstrar minhas mais imensas fraquezas,
justamente aquelas que você teima em derrotar,
para enfim, quando já totalmente fortalecido,
como a água,…
eu me veja novamente com lágrimas no olhar.
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Então peço: olhe-me dentro, bem no fundo…
verá que aqui há uma humana dualidade,
verá que aqui há um vasto e imenso mundo,
um homem que ao mesmo tempo é fraco e forte,
um homem que por vezes já perdeu seu norte,
como a água,…
que percorre mil caminhos tortuosos na sua rota até o mar.
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Mas, caso ainda assim queira provar o meu amor,
saiba que, estando eu ciente de que você gosta de flores,
vou encher de cores suas internas paisagens,
para, como um dia em Brasília fizera Burle Marx,
no seu coração, cuidar e semear todos os jardins,
com risos, beijos, carinhos, poesias,… para que,
como a água,…
lavem e levem suas mágoas, quantas vezes precisar.
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