(Liberty Leading the People – Eugene Delacroix)
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PRIMEIRO E ÚLTIMO SONETO

(Pablo Ramos)

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Criva a bala e logo o peito chora
o corpo clama o solo em tombo atroz
melhor sono que noção da hora
na escuridão que já consome a voz.

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O erro vão em que já não tropeço
é a esperança de salvar-me a vida
aquele irmão que se diz réu-confesso
por ter-me feito esta mortal ferida.

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Sem desonrar ou cumprir compromisso
me entrego à relva, há muito inexistente
pois já não tenho nada com isso

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desertando a condição de gente
despejado às garras do sumiço
torna ao mar a água desta enchente.

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Para ler mais Pablo Ramos: http://www.pabloramos.com.br/blogico.asp

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