(El Vendedor de Alcatraces – Diego Rivera)

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SEM CHÃO – II
(André L. Soares)
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Aquela gente espremida no trem
é a massa;

sempre tratada com desdém,…
escrava;
acumulando sofrimento
e raiva,

impaciente,… a esperar a hora
da rebelião.
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Aquela promessa do governo era
farsa;

por trás da lei o que existe é
trapaça;

o Estado é um grande urso
que abraça,
traiçoeiro,… uma faca
em cada mão.
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Aquele sonho perfeito hoje é
nada;

a ditadura do operariado se desfez
em cachaça;

quem resistiu levou muita
porrada,
mudou de lado, desvirtuando
a causa,
vendeu a casa, a alma,
a pátria,…
tantas lutas, tudo em vão.
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(…)
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Mortas as ideologias,
minguadas as resistências,…
ao povo que pouco pensa
resta o ópio persuasivo
da cerveja, das novelas,
das canções de amor e mágoa,
das notícias orquestradas,
do futebol aos domingos,…
esperando ficar rico
com as loterias do inimigo.
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