(Still Afternoon Zhaoming Wu)

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RESPOSTAS
(André L. Soares)
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Sou mesmo realidade e, como tal,
nem sempre compreensível:
oscilo entre o positivo e o maléfico.
Quando amo, o amor é visceral.
Não raro, costumo ser dócil, mas intenso:
imenso em minha entrega, posso ser
quem sabe, o gozo que espera e sonha
ou só a força bruta a lhe doer.
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Sou homem, predador e, sendo assim,
revestido de ardilosos sofismas:
por vezes narcisista, noutras verdadeiro,…
posso parecer menino, talvez pura artimanha;
às vezes, a mentira mais perfeita pra você,
talvez seja o pesadelo a rondar a sua vida,
a dose de prazer que suas entranhas desconhecem,
a prece atendida, já a lhe acontecer.
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Sou sexo e priorizo meu instinto animal:
não raramente o desejo me domina.
Assim, cuspo na razão quando excitado;
tenho no prepúcio a consciência que me guia;
no monte de Vênus finco minha bandeira;
à força da libido estou sempre à mercê;
meu ápice de paixão é a beleza feminina,…
por um rabo-de-saia ponho a vida a perder.
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Por fim, sou também total insanidade:
no cotidiano, tenho medo da rotina,…
Dionísio é o deus maior, por mim louvado;
minha dança e meu canto são escravos da orgia;
minha alma faminta se alimenta de loucuras;
troco a exata lógica pela incerta intuição;
se a vida fica chata, salto livre das alturas;
se o tédio se apresenta, violento grito – não!
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