(Landscape with Butterflies Salvador Dali)

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AGONIA
(Arlete Castro – 02.02.2007)
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Voou pela janela a poesia…
e era sem jeito e amarrotada,
falava de amor e meio sem pensar
deixou-se ficar assim enamorada,
rasgada em versos escritos
algures num verão.

Ficou ali caída a poesia
velha empoeirada,
rotulada,…
sem sintonia e sem tom;
feita apenas de lembranças, a coitada
numa métrica que jazia apaixonada
e cujos versos quanto mais se espremia
sangravam flores e amores,
frutos da mais antiga inspiração.

Abandonada, sentiu-se quase sem valor
enquanto o artista no parapeito da janela
via sua arte, seu poema e emoção…
assim julgados e condenados à extinção.

Mas se o papel em cinzas se transforma
e a tinta se desfaz apagando a paixão,
a arte cria vida e ressuscita
voando ao vento, sonhando versos
entre estrelas, amor e rosas…
frutos da eterna inspiração.
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