(Las Camadres – Simon Silva)

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PALAVRAS
(André L. Soares)
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Nada nesse mundo é mais útil e versátil:
pode valer uma carícia
ou rasgar como punhal;
tem vezes que é do bem
e em outras é do mal;
doce como açúcar, veloz como projétil,…
muitas são as formas da palavra.

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Tem gente que prega a palavra de Deus,

há quem confie em palavra de políticos,
palavras bonitas são postas em dísticos,
têm valor em contrato se estiverem escritas;
a ideologia veicula as palavras não ditas,
palavras de fé não se ouvem de ateus.

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Há as palavras livres e as palavras compradas,

ditas em cinemas, poemas, canções;
palavras de humor, atrás dos caminhões;
palavras animam quando vêm do amigo;
palavras ao léu jamais dão abrigo,
mas para diversão: palavras cruzadas.

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Com palavras falsas atua quem mente,

palavras ao vento não buscam resposta,
palavras dóceis pronuncia quem gosta,
a palavra-de-homem, tem homem que quebra,
palavra dura é usual em quem nega,…
o silêncio é a palavra de quem consente.

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Palavras feias expressam rancor,

as complicadas são pra ninguém entender,
a palavra justa é só pra inglês ver;
palavras e lágrimas traduzem emoção:
se ditas de esguelha lá vem traição,
entre os amantes, palavras de amor.
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