(Rose Gardem – Daeni Pino)

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GRITO VERTICAL
(André L. Soares – 30.07.05 – V. Velha/ES)
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Têm momentos em que a Geometria é louca
Tudo fazendo parecer fora de esquadro
Triângulo retângulo – desenhado no dia-a-dia
Travestido de círculo vicioso
Embutido – silencioso – nas linhas do hexágono
Expondo duas vidas paralelas – que se buscam
E que – não adjacentes – cruzar-se-ão no nunca
Esperando – talvez – um milagre geométrico

Apostando – quem sabe – no absurdo geográfico
Ambas ofertando o tempo à pira do sacrifício
Alheias à dor, à saudade e ao ridículo
Andam livres – a sorrir – à beira do precipício
Marcando e adiando – comumente – seus encontros
Matando – na distância – o seu melhor
Movendo-se – sem perpendiculares – por vias diferentes
Mormente – a essas retas – o beijo é algo impossível
Olham-se – sempre separadas – sustentadas no desejo
Obstruídas – que estão – pela linearidade lógica e precisa
Obtusa paixão inviabilizada pela Física:
Obviamente esse amor tende ao infinito intangível.
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