(Foto: André L. Soares)
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DO AMOR DE TODAS AS HORAS – I
(André L. Soares)
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Não somente as juras noturnas, ditas em meio aos carinhos, faziam com que se sentisse amado. Havia o valor das horas cotidianas – repletas do comum –, em que ela o olhava distraída. Nesses momentos, encantava-o sua voz suave. Involuntário, captava a intensidade das palavras com que ela respondia coisas corriqueiras, cada frase abrigando termos e entonação em dose exata à felicidade. Em tudo que ela fazia, residia o carinho de entrelinhas que só ele sabia ler. Às vezes era um gesto qualquer: o modo de ajeitar-lhe a camisa; o olhar triste ao vê-lo partir; ou o sorriso sereno com que o acolhia na volta. Aos ouvidos daquele homem, as palavras de amor – instigantes do desejo – eram também dóceis pleonasmos; pois, ainda que ela jamais as sussurrasse, ele teria escutado – de modo ensurdecedor –, todos os apelos vindos das entranhas daquela mulher,… ecoando em sua alma, na ininterrupta freqüência do quartzo.
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