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MIRELLA
(André Albuquerque)
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Se não fossem o linho e a cambraia
à quadrangular tuas formas sinuosas,
repararia mais no vão de tua saia,
quando displicentemente entreaberta posas.

O rouge e o perfume adocicado
levam cor à sua tez sofrida,
um sorriso falso, um olhar cansado,
revelam o tom amargo de sua vida.

Pareces nem poder pecar em pensamento,
sob a pena de ter as entranhas umedecidas,
pela lascívia que habita o seu convento.

Então viva o desejo que acende a tua saia!
Rasgue de vez esse linho e essa cambraia,
e rompa os grilhões que acorrentam-te ao medo!
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